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UMBU - A LENDA

Existe uma lei no Pampa: todo gaúcho que cruza com uma árvore de umbu sempre tira o chapéu e faz uma saudação. É um costume tão antigo, que muitos nem sabem o motivo da reverência. Os escravos apreciavam o umbu pelo seu tronco largo e pela sombra de suas folhas, onde podiam descansar após um duro dia de trabalho. Os jesuítas que aqui aportaram séculos atrás utilizavam a árvore como demarcador de terras, um símbolo do Novo Mundo, aparecendo em vários mapas de toda a região platina. E antes ainda de os padres sequer pensarem em vir para a América, nossos índios já tinham muitas histórias sobre a árvore.  Ao longo dos tempos, a gente do campo criou outras tantas histórias em que o umbu aparece como amigo, pousada, abrigo, protetor, salvador, refúgio. Para muitos, é a árvore simbolo do Rio Grande do Sul.  Só que a madeira do umbu não presta para nada. É frágil, mole, quebradiça, sem uso, se desmancha com a menor força. De tão fina e sem consistência, o f...

ARTE MISSIONEIRA

Os indígenas das Missões eram hábeis copiadores, mas há quem sustente que eles acabaram criando uma espécie de barroco crioulo.  Mesmo derrotados, os guaranis impediram a entrega do território das missões ainda por dez anos. Mas o sonho jesuítico foi destruído pela guerra. Dele só restaria a arte que os missioneiros ensinaram aos indígenas e que hoje é o testemunho mais eloqüente da vida nas reduções.     Na ausência de artífices, os próprios padres elaboraram as primeiras estátuas e pinturas com motivos religiosos, reunindo elementos renascentistas, góticos, românicos e barrocos.  Em seu aprendizado, os índios conheceram também estampas de obras de grandes mestres europeus. Assim imitavam meninas de Velázquez, anjos de Rubens e meninos de Murillo. Os guaranis copiavam com perfeição, mas sem o modelo, eram incapazes de fazer o objeto. Ainda, defende Armindo Trevisan, em seu livro A Escultura dos Sete Povos, existiu um estilo missioneiro, e...

#CHARQUEADAS - HISTÓRIA DA RUA LYGIA ANDRIOTTI MAIA

No livro intitulado "História do Povo de Charqueadas - Um patrimônio ainda desconhecido", de autoria do senhor Saldino Antônio Pires, conforme página 55, encontramos informações sobre a história da Rua Lygia Andriotti Maia. Lygia Andriotti Maia nasceu em 3 de março de 1926, na cidade de Barão do Triunfo. Era filha de Argemiro e Adélia Andriotti. Faleceu em 3 de abril de 1989, em Guaíba. Dona Lygia frequentou o Colégio São José, em São Leopoldo, e em 1947 casou-se com Manoel Guerreiro Maia, conhecido como Chiquito, que foi vereador por duas legislaturas, em 1964 e 1977. O casal teve duas filhas, Rina e Vera. Além de ser sócia da Padaria Maia, Lygia Andriotti Maia participou ativamente de diversos eventos políticos e sociais ao lado de seu esposo. Ela era conhecida por sua religiosidade e generosidade, contribuindo mensalmente com alimentos que eram distribuídos pela Cáritas. Devido à sua popularidade e amizade, Dona Lygia tinha vários afilhados de casamento e batismo. Além ...

NÃO APERTA APARÍCIO - O FILME E A MÚSICA

  Outro filme interpretado pelo cantor José Mendes, também baseado em uma de suas clássicas canções (de mesmo nome), filmado na região de Dom Pedrito e na Base Aérea de Canoas, este teve no elenco a grande participação de Grande Otélo, assim como de José Lewgoy, Angelito Mello e de Edson Acri (inclusive, novamente, com seus desenhos de abertura). Na história, o tal Coronel Amaro Silva, criador de gado, é proprietário de uma grande estância de gado no interior da cidade gaúcha de Dom Pedrito. Seu filho Aparício é o capataz da estância, tendo como seu auxiliar o negrinho Tonico (personagem de Grande Otélo), afilhado do coronel.    Certo dia, surge ali um novo vizinho, o Dr. Azevedo, que acaba de comprar vastas terras lindeiras. Com ele vem sua filha Aurora , e, num certo dia, ela e Aparício encontram-se e iniciam um romance. Porém, quando parte do gado do Dr. Azevedo é roubado, Aparício é acusado pelo crime, em virtude de pistas falsas deixadas pelos ladrõ...

A FUNDAÇÃO DE RIO GRANDE

HISTORIADOR FÁBIO KÜHN Apesar de a ocupação dos Campos de Viamão ser mais antiga, tratava-se de um empreendimento em grande parte realizado por particulares, preocupados mais em ganhar dinheiro com o comércio e a criação de gado do que propriamente em representar o papel de defensores dos interesses portugueses na região (embora alguns desses primeiros povoadores também tenham sido militares que sem dúvida serviram aos interesses da Coroa portuguesa).  Nesse sentido é que se deve compreender a fundação do Presídio e da povoação de Rio Grande, situada estrategicamente no canal de entrada da lagoa dos Patos, cujo controle dava acesso ao interior do Continente.  A fundação de Rio Grande não estava vinculada somente à necessidade de apoiar a Colônia de Sacramento, tratava-se, na verdade, de um plano já discutindo e preparado há algum tempo entre as autoridades coloniais e metropolitanas. Sob essa ótica é que se deve compreender a expedição de João de Magalhães, e...

MANOELA: O AMOR GAÚCHO DE GARIBALDI

HISTORIADORA ELMA SANT'ANA Manuela de Paula Ferreira, imagem do século XIX Em Camaquã, na Estância da Barra de Dona Antônia, irmã do General Bento Gonçalves, vivia Manoela com seus familiares. Vieram de Pelotas, que estava ocupada pelos imperiais.  Manoela se enamorou perdidamente por Garibaldi, mas ela era destinada a um filho do comandante Farroupilha. Entre Manoela e Giuseppe – que ela chamava de José – houve um castro romance. O próprio Garibaldi, em suas memorias, escreveu “uma delas, Manoela, dominava absolutamente a minha alma. Não deixei de amá-la, embora sem esperança, porque estava prometida a um filho do Presidente.  A Guerra dos Farrapos continua e uma nova missão – que o levaria até Anita, muda os planos do italiano e o amor pro Manoela. A ordem recebida por Garibaldi, chefe da Marinha Rio-Grandense, era difícil de ser cumprida: “Apoiar com seus lanchões as forças de David Canabarro incumbida de tomar Laguna, a fim de ali estabelecer um porto, h...

#RS - TRADIÇÃO GUARANI - PRÉ-HISTÓRIA

Entre o I e o II século da nossa Era, o panorama do povoamento do Rio Grande do sul passa por uma mudança que vai modificar todo o sistema de uso desse espaço geográfico. Essa mudança é causada pela chegada da população portadora da tradição cerâmica Tupiguarani, que traz elementos novos como a confecção e o uso de cerâmica e uma economia baseada, não só na coleta, mas também na produção de alimentos por meio do desenvolvimento da agricultura.    Essa população de origem amazônica, já em um contínuo processo de migração, chega ao atual território do Estado pela região noroeste, a partir da qual seguiu numa direção geral leste, em movimentos de curta distância, deslocando-se através de áreas de Floresta Estacional, povoando, assim, os ambientes nos quais poderia reproduzir seu modo de vida. Dessa forma, iam povoando e ocupando principalmente as áreas ao longo dos vales dos rios nas bacias do Uruguai e do Jacuí.  A tradição Guarani pertence ao único grupo q...

#RS - ERVA-MATE, A RIQUEZA

   Em 1660, a Companhia de Jesus fez a seguinte oferta à Coroa espanhola: cada índio entre os 18 e os 50 anos passaria a pagar uma quantia mínima anual de imposto, guerreiros ficariam à disposição da autoridade branca (sabiam manejar armas de fogo desde 1641) e seriam cedidos operários para trabalhar em obras públicas nos povoados espanhóis. A boa condução política, por parte dos padres, resultou quatro anos mais tarde em isenção fiscal para os guaranis. Eles puderam exportar seus excedentes de erva-mate, sem pagar imposto de circulação, até o limite de 180 toneladas por ano. Essa conquista dos povos missioneiros dá uma ideia da importância da erva-mate na vida dos guaranis.  Era deles a erva chamada caamini (pura folha), que alcançava o dobro do preço em todos os mercados, em detrimento da erva comum, com paus, produzida por comerciantes brancos. No começo, os padres não eram favoráveis ao consumo da erva, incluída nos rituais pagãos. Um jesuíta do Per...

#RS A TRADIÇÃO TAQUARA - PRÉ-HISTÓRIA DOS GAÚCHOS

Os horticultores da Tradição Taquara habitaram o planalto do Estado e possivelmente o litoral norte do Estado. Exploravam principalmente os pinheirais (araucária), caçavam animais e coletavam frutos e raízes de outras plantas silvestres. Plantavam em pequenas roças, das quais extraíam diversos produtos para sua subsistência. Produziam uma cerâmica simples, de pequeno porte.  Habitavam em casas subterrâneas que eram buracos escavados na terra com diversos tamanhos. Essa forma de habitação poderia ser uma adaptação ao clima frio do planalto. Também poderiam morar em aldeias a céu aberto, em pequenas choças de palha, ou, ainda, eventualmente em abrigos sob rocha. Acredita-se que os índios Kaingang são os descendentes das populações da Tradição Taquara.     A cerâmica da Tradição Taquara é assim descrita por Mentz Ribeiro: “Seus vasos são de relativas pequenas dimensões, pouco mais de 50% decorados plasticamente, destacando-se vários tipos de ponteado, ...

#RS AS MISSÕES JESUÍTICAS

MISSIONS In the fifteenth century, Portugal and Spain were the great discoverers of new lands. To avoid disputes over uncovered lands, the two countries made an agreement that was called the Treaty of Tordesillas. No século XV, Portugal e Espanha eram os grandes descobridores de novas terras. Para evitar disputas pelas terras descobertas, os dois países fizeram um acordo que foi chamado de Tratado de Tordesilhas. Este tratado dizia que as terras descobertas a leste seriam de Portugal e as terras descobertas a oeste seriam da Espanha.  A linha de referência seria o Meridiano de Tordesilhas. No Brasil, essa demarcação não foi bem definida, e os portugueses acreditavam que suas terras iriam somente até o sul do atual estado de São Paulo. Assim, o Rio Grande do Sul pertencia à Espanha e, por osso, ficaria fora da colonização portuguesa. Com a união das duas coroas, Portugal e Espanha, não havia mais o Tratado de Tordesilhas; dessa forma, o Rio Grande do Sul começou a r...

#RS - APONTAMENTOS SOBRE O POVOAMENTO INICIAL

RIO GRANDE DO SUL Antes mesmo de chegarem a América, portugueses e espanhóis definiram sua divisão, estabelecendo o limite territorial de cada país no Novo Continente através do Tratado de Tordesilhas (mapa 1), em 1494. O território que atualmente constitui o Rio Grande do Sul historicamente pertenceu aos espanhóis, uma vez que essa partilha estabelecia que: as terras conquistadas que se localizavam ao leste de Tordesilhas pertenceriam a Portugal e as que estavam a oeste pertenceriam à Espanha, ou seja, “pelo Tratado de Tordesilhas, os domínios portugueses na América do Sul iam até Laguna (no atual Estado de Santa Catarina) e daí para o sul o território seria espanhol” (LESSA; CÔRTES, 1975, p. 31). Na prática o Tratado de Tordesilhas nunca foi respeitado, pois no período colonial, o Rio Grande do Sul foi uma zona de litígio entre as coroas portuguesa e espanhola. Após a colonização inicial do Estado e violentas lutas pela posse do território, ele passa ao domínio portug...

#RS - TRADIÇÃO VIEIRA - PRÉ-HISTÓRIA

Os caçadores-coletores da Tradição Vieira já fabricavam cerâmica, mas não sabemos se desenvolveram a horticultura. Viviam da caça, pesca e coleta nos banhados, nos rios e nas florestas da região. Os sítios arqueológicos da Tradição Vieira são caracterizados pela construção de pequenos cerros, os cerritos, onde moravam e enterravam seus mortos. Por estarem situados próximos a locais geralmente alagados, acredita-se que eles construíam as pequenas elevações para manterem o acampamento em áreas secas. No entanto, existem no Estado diversos sítios de cerritos em locais não alagados, próximos a morros ou a antigas dunas de areia. Assim, não sabemos a razão pela qual construíam esses aterros. Talvez os índios charruas e minuanos sejam os remanescentes desses grupos.

#RS LITORAL - TRADIÇÃO SAMBAQUIANA - PRÉ-HISTÓRIA

Alguns dos grupos, pré-históricos, que habitavam o litoral do Rio Grande do Sul deixaram montes de conchas que utilizavam como alimento, onde são encontrados utensílios em pedra polida, pedra lascada, restos de peixes, animais e conchas.  A acumulação desses materiais era proposital, e talvez estivesse ligada ao prestígio que cada família possuía em ter o maior número de indivíduos e morar em locais mais altos, construídos para ter maior destaque na paisagem. A palavra sambaquis é atribuída aos grupos Guaranis, tamba-qui, “monte de conchas”. Em cima desses montes eles moravam e enterravam seus mortos. Através dos esqueletos acreditamos que seus membros superiores eram mais desenvolvidos que os inferiores, o que pode ser considerado um indicador de que utilizavam canoas. No interior do Rio Grande do Sul foram encontrados objetos de pedra polida, em forma de animal, que são chamados de zoólitos. Exploravam o litoral, o mangue, as matas nativas no entorno dos sítios,...

#RS HISTÓRIA DO I.E. EDUCAÇÃO ASSIS CHATEAUBRIAND

HISTÓRIA DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO No final do ano letivo de 2006, em reunião com todo corpo docente da Escola e equipe diretiva, várias sugestões de atividades e projetos surgiram. Entre elas a de realizar trabalhos alusivos ao aniversário da Escola, que se realiza já nos primeiros dias letivos do ano. Esta idéia foi contemplada no calendário escolar deste ano de 2007. Contando com a participação e entusiasmo da turma NE21, módulos de magistério, turno da noite, iniciamos nossos trabalhos de investigação histórica justamente no dia do aniversário da Escola , digo seis de março de 2007, acreditando que plantar a semente da investigação é papel do professor de história já que esta se constitui em ponto de partida para o conhecimento e compreensão da realidade. Para aprender a aprender é relevante que os alunos estejam capacitados a desenvolverem pesquisa. Possibilitando ao aluno tornar-se sujeito do seu processo de construção do conhecimento. É papel do profes...