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NO RS - IMIGRAÇÃO ALEMÃ

Os imigrantes contratados por conta do Governo brasileiro por Jorge Antônio von Schäffer na Alemanha e componentes da primeira leva, depois de passarem pelo Rio de Janeiro, chegaram a Porto Alegre em 18 de julho de 1824. Ana Luiza Jaskulski Quando a família real veio para o Brasil, em 1808, o rei D. João percebeu a necessidade de povoar e colonizar o Brasil. Por isso, liberou a imigração estrangeira.  No inicio do século XIX, as terras de fácil ocupação estavam nas mãos de sesmeiros ou de posseiros. As terras de difícil acesso, como nos sertões e nas florestas, estavam desertas. O governo, então, acaba com as doações ou compras de sesmarias e dá inicio a uma nova fase colonizadora. Seriam criadas pequenas colônias agrícolas, onde se desenvolveria a classe média para movimentar o mercado interno. Assim, o imigrante povoaria as terras de difícil acesso, aumentaria a população brasileira, serviria de exemplo à sociedade da época, que via o trabalho ...

A MULHER NA GUERRA DOS FARRAPOS

HILDA AGNES FLORES Sintese do discurso de posse como Membro Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, no dia 9 de outubro de 2014, em resposta à saudação proferida pelo Prof. Luiz Osvaldo Leite.  A guerra intestina dos Farrapos lutou por ideias, difíceis de conciliar. Alongou-se por quase um decênio (1835-1845), destruindo a economia da Província e desorganizando a sociedade. Famílias sem o chefe mantenedor colocaram a mulher face a uma nova realidade, induzindo-a a agilizar o que Michele Perrot chama de “poder possível” na busca do caminho para enfrentar imprevistos e provocativos desafios. Audaciosa e inovadora, a mulher projetou-se à frente de seu tempo, à semelhança da mulher europeia que décadas mais tarde enfrentaria incríveis desafios de duas grandes guerras mundiais, concretizando o feminismo esboçado pela mulher farroupilha. Documentos amarelados de nossos arquivos, noticioso da imprensa nascitura, depoimentos do Processo dos Farrapos ...

LANCEIROS NEGROS SALVARAM A REVOLUÇÃO - RS

Retratro de um Lanceiro Negro, óleo de  Juan Manuel Blanes Cláudio Moreira Bento  Na Surpresa de Porongos, em 14 de novembro de 1844, os Lanceiros Negros de Teixeira Nunes salvaram a Revolução Farroupilha de desastre total. Pelo modo como combateram, salvaram Canabarro e grande parte das tropas e tornaram possível a negociação de uma paz honrosa como foi a de Ponche Verde, e a liberdade para todos os negros e mulatos que lutaram pela República Rio Grandense. Ao final do combate o campo de batalha de Porongos ficou juncado com 100 mortos farroupilhas. Segundo descrição do historiador Canabarro Reichardt: "Dentre eles 80 eram bravos Lanceiros negros de Teixeira Nunes”. Com a surpresa em Porongos, os farrapos, passados os primeiros momentos de estupor, recobram ânimo e se dispõem a morrer lutando.    CORONEL JOAQUIM TEIXEIRA NUNES (1801-1844) O maior lanceiro farrapo Teixeira, o Bravo dos bravos, cujo denodo assombrou um dia o próprio Garibaldi, reuni...

A PAZ HONROSA - REVOLUÇÃO FARROUPILHA

Acampamento da Carolina, nos campos do Ponche Verde, na cidade de Dom Pedrito. SANDRA JATAHY PESAVENTO  A REVOLUÇÃO FARROUPILHA  3ª edição Editora Brasiliense A "paz honrosa" A assinatura da Paz de Ponche Verde, a 28 de fevereiro de 1845, nos campos de Dom Pedrito, em plena campanha gaúcha, teve um significado ideológico fundamental para a imagem do movimento, que foi guardado pelas gerações futuras e habilmente explorado pela historiografia oficial. Os farrapos não sofreram uma derrota final nos campos de batalha, apesar de se encontrarem já bastante desgastados.     Obelisco da Paz Farroupilha Além disso, foi-lhes oferecida uma "paz honrosa", que atendia aos revoltosos em muitas das suas antigas reivindicações. Foi concedido aos es-tancieiros gaúchos o direito de escolherem o seu presidente de província; as dividas da República Rio-grandense seriam pagas pelo governo central; os generais farrapos poderiam, se o quisessem, passar par...

RS ESCRAVIDÃO, FAZENDA E CHARQUEADA

Escravidão, fazenda e charqueada MÁRIO MAESTRI Os historiadores divergem sobre a importância do trabalho escravizado na atividade pastoril, base fundamental da produção sulina até fins do século 19. Problema de difícil resolução, sem estudos monográficos sobre as diferentes regiões criatórias durante o século e meio de escravismo sulino.  Porém, algumas determinações gerais enquadram a questão. Inicialmente, é imprescindível compreender a forte distinção entre as fazendas chimarrãs e as fazendas crioulas ou de rodeio, realidade própria de toda a região da bacia do Prata.  Nas fazendas chimarrãs, de grandes dimensões, o gado vivia selvagem e semisselvagem e era abatido, em geral sur-place, pelo couro, sebo e graxa.    Viajantes da Província do Rio Grande do Sul –  Debret Essas propriedades exigiam poucos trabalhadores, ainda que sustentassem comumente população excedente, em razão do subaproveitamento das carnes. As fazendas...

REVOLUÇÃO FARROUPILHA - INSURREIÇÃO DOS GRANDES ESTANCIEIROS

Exposição de documentos originais serve para pesquisa e  conhecimento de fatos históricos - Foto: Arquivo AHRS A Farroupilha − a insurreição dos grandes estancieiros MÁRIO MAESTRI Em 7 de abril de 1831, a deposição de dom Pedro I, promovida pelos liberais exaltados (os farroupilhas eram federalistas e, muitas vezes, republicanos), levou ao poder os liberais moderados (os chimangos eram centralistas e, comumente, monarquistas). No poder, os liberais moderados promoveram reformas institucionais ampliando a base de apoio do regime regencial, sem satisfazer às reivindicações federalistas provinciais, que tinham como maior exigência a constituição de Assembleia Provincial com amplos poderes e, sobretudo, o direito de eleição direta pelos proprietários regionais do presidente da província. No Brasil, nos anos seguintes à Abdicação, em 7 de abril de 1831, os liberais federalistas promoveram movimentos políticos e armados no Ceará (1831-2), em Pernambuco (1831-5), em Minas Gera...

SOBRE GUERRA CIVIL FEDERALISTA - SUL DO BRASIL

A maior parte das batalhas da Revolução Federalista (1893-1895)  se deu nas planícies do Rio Grande do Sul Fonte: Agência Senado 1893: a guerra civil federalist a Mário Maestri Os federalistas reagruparam suas forças nas suas fazendas do norte do Uruguai, como nos tempos da Guerra Farroupilha (1835-1845). Novamente no poder, os republicanos históricos fortaleceram igualmente suas tropas e garantiram-se o apoio federal do marechal Floriano Peixoto. Em 15 de outubro de 1892, extinguia-se a Guarda Cívica e nascia a Brigada Militar, com mais de 1.200 homens na ativa, o primeiro exército profissional sulrio-grandense – dois batalhões de infantaria e um regimento de cavalaria. A Brigada Militar teria participação decisiva nas guerras de 1893 e 1923 e asseguraria o PRR contra as intervenções federais, contra os federalistas/libertadores e contra as classes subalternizadas. Para enfrentar os federalistas, armamentos modernos foram encomendados, organizou-se uma guarda municip...

O ANGÜERA - LENDA GAÚCHA

SIMÕES LOPES NETO LENDA GAÚCHA O Angüera, enquanto foi pagão, chamava-se desse nome era um índio grande, forçudo e valente; mas era triste, carrancudo e calado.  Quando os padres de Jesus entraram no sertão da serra, corridos que vinham doutro rumo, foi Angüera, o tapejara, que conduziu sem erro a companhia; e quando os padres sentaram pouso, batizou-se.  E foi padrinho Mbororé, que era cacique e já amigo, muito, dos padres. O nome de Angüera, pagão, ficou sendo Generoso, nome de cristão.  E foi como cobra que deixa a casca ...  Angüera, que era triste, deixou a casca de tristura e, como Generoso, de nome bento ficou prazenteiro.  E ajudou a botar pedra no alicerce de todas as igrejas dos Sete Povos. E durou anos esse ofício!... E ele sempre risonho e cantador.  Um dia, chamou o padre-cura, confessou-se e foi ungido de óleo santo e morreu.  Generoso morreu contente, pois a cara do seu cadáver guardou um ar...

LAGOA DOS BARROS - A LENDA

LENDAS GAÚCHAS  Como se não bastassem os ventos da cidade de Osório, que muitos dizem deixar o povo louco, cada lagoa do município tem uma história sobrenatural para ser contada. A gente do lugar adora contar histórias sobre os mistérios que rondam aquelas águas.  Da Lagoa dos Barros, entre Osório e Santo Antônio da Patrulha, já se disse muito.  Já se disse que a lagoa é amaldiçoada.  Não há peixe, não há camarão, não há alga, não há nada, nenhum ser vivo pode existir ali, de tão forte o feitiço. Ninguém nela toma banho, ninguém acampa em suas margens ou se arrisca a dar uma voltinha de barco, por mais breve que seja.     Falam quem a água é envenenada, que se não morrer há hora o vivente falece logo depois, após muita febre e dor de cabeça, punido pela imprudência. Também corre de boca em boca a crença do redemoinho. O redemoinho fica bem no meio da lagoa, suga qualquer nadador ou embarcação e larga no oceano, a milhas da...