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O CARVÃO EM #CHARQUEADAS - RS


  

Uma atividade econômica ocorrida na segunda metade do século 19 conectou as cidades de Charqueadas e Arroio dos Ratos. Especificamente, o carvão extraído em Arroio dos Ratos era transportado por trens para Charqueadas, onde a Companhia Mineradora estabeleceu uma infraestrutura significativa para desenvolver essa atividade. Terras foram adquiridas, uma ferrovia e um porto de embarque foram instalados na cidade. Além disso, foram construídos um lavador, um estaleiro e uma fábrica de briquetes (um tijolo composto por carvão em pó e um aglutinante). Todo esse aparato foi montado para permitir que o carvão de Arroio dos Ratos pudesse ser embarcado em chatas puxadas por rebocadores até Porto Alegre e Rio Grande.

Uma nova fase teve início em 1954, com o início dos trabalhos de abertura e montagem do Poço da Octávio Reis. Em 26 de janeiro de 1956, o Poço da Octávio Reis foi inaugurado na presença do governador Ildo Meneghetti, sendo a CADEM a proprietária da mina. A partir de 1956, o carvão passou a ser extraído a uma profundidade de 300 metros, utilizando tecnologia moderna. O primeiro equipamento completo foi importado da Alemanha, e a mina se tornou comparável às maiores produtoras mundiais.



No poço Octávio Reis, o transporte do carvão é realizado por dois "skips", com capacidade de 3,5 toneladas por hora, ou 2.560 toneladas por dia, em um período de 16 horas. Na superfície, o carvão é transportado por correias até o lavador ou utilizado na Aços Finos Piratini. No entanto, os acidentes se tornaram frequentes, sendo uma das causas a precariedade dos túneis.



Em uma entrevista com o ex-mineiro Arcilon Moura de Lima, ele descreve as condições de trabalho na mina, mencionando a existência de túneis de três metros de altura e quatro metros de largura, escavados com madeira, ferro e pedra. Os acidentes eram comuns, causando problemas de saúde, como a inalação de carvão, problemas na coluna e diversas fraturas. Dois acidentes marcantes foram a queda do elevador de serviços no poço de ventilação em 1978, com três vítimas fatais, e o incêndio de uma correia na galeria número 10 em 1980, com cinco mortes. Greves decorrentes de arbitrariedades administrativas completaram o quadro que resultou no fechamento total da mina. (Fonte: https://sites.google.com/site/charqueadashistoria/home/arcilon-moura-de-lima)












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