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SURGIU CHARQUEADAS/RS



Neste vídeo intitulado "Histórias de Charqueadas", abordaremos o surgimento da cidade e algumas informações históricas relevantes. Ao redor dos estabelecimentos de salga de carne (charqueadas), começou a surgir o primeiro núcleo populacional. No entanto, a localidade foi inicialmente conhecida como "Lindos Aires". O fundador foi o Capitão Francisco Correia Sarafana, que era fazendeiro próximo ao arroio dos Ratos.

Segundo o professor Benedito Veit, existiam treze charqueadas, ou seja, indústrias de salga de carne, ao longo da margem do rio Jacuí, dentro do município. As charqueadas eram as seguintes: 1ª de Manoel Faustino, localizada na margem esquerda do arroio dos Ratos; 2ª de Jerônimo Poeta, posteriormente vendida para a Senhora Francelina Bueno de Paula; 3ª do Coronel José Manoel Leão, que faleceu em uma emboscada armada pelos imperiais durante a Guerra Farroupilha; 4ª de Juca Leão, onde se encontra o sítio Três Figueiras; 5ª de Manoel Fernandes Lima, atualmente situada no sítio Porto Capela; 6ª de João da Costa, atualmente no sítio Sobradinho, onde encontramos abundantes vestígios de farinha de ossos; 7ª de Francisco Borges, localizada onde hoje está o coração do bairro Santo Antônio; 8ª de Francisco Leão, irmão do Coronel Manoel Leão, também vítima da emboscada na guerra farroupilha, localizada no terreno onde hoje está a Gerdau; 9ª de Dona Maria Guedes, também localizada em área da Gerdau; 10ª de Dona Senhorinha, em área da COPELMI; 11ª do Coronel Manoel dos Santos, também em área da COPELMI, próxima ao antigo Porto Mauá; 12ª de Maia, localizada próxima ao antigo cinema, e é nessa área que surgiu o povoado que deu origem ao centro atual de Charqueadas; 13ª de Dona Antônia Luiza de Lima, localizada antes do Arroio Leão, próxima ao Estádio Municipal.

O Coronel José Manoel de Leão adquiriu terras, provavelmente do Capitão Sarafana, dando continuidade à atividade de salga de carne, mantendo escravos para trabalhar na salga. O Coronel Leão foi comandante da Legião da Guarda Nacional de Triunfo e participou da Revolução Farroupilha, sendo assassinado em sua fazenda. O dia 18 de setembro de 2009 marcou os 170 anos do falecimento dos irmãos Francisco José de Leão (Chico Leão) e José Manuel de Leão (Juca Leão), assassinados pelo Barão do Jacuí, Francisco Pedro de Abreu, na madrugada do dia 18 de setembro de 1839, durante a Revolução Farroupilha.

José Manuel de Leão era casado com Ana Ferreira da Silva, nascida em 23 de novembro de 1794 em Porto Alegre e falecida em 19 de janeiro de 1866 em São Jerônimo. Ela era filha de João Ferreira da Silva e Maria Isabel de Azevedo. O casal teve uma única filha chamada Maria Antônia Socorro de Leão, nascida em 13 de julho de 1814 em Porto Alegre e casada em 1846 com Antônio Joaquim Dorneles e Souza.

Durante a revolução, Juca Leão, um próspero produtor de charque em São Jerônimo, libertou mais de 100 escravos e organizou uma força vestida e armada por conta própria, que prestou valiosos serviços na defesa da instituição republicana.

Por meio do rio Jacuí, inúmeros barcos transportavam grandes quantidades de charque, sebo e couro até o porto de Rio Grande ou Porto Alegre. O rio funcionava como uma grande via de transporte, levando não apenas mercadorias, mas também pessoas da região.

Não há dúvidas de que os escravos constituíram a principal força de trabalho nas indústrias de salga de carne (charqueadas), e o crescimento e enriquecimento dessas charqueadas atraíram cada vez mais escravos para o município. Portanto, os charqueadores eram proprietários de escravos que enriqueceram explorando o trabalho desses indivíduos. Os negros eram frequentemente tratados com violência, estupidez e maus-tratos eram rotineiros.

No entanto, enfrentamos muitas dificuldades ao pesquisar sobre o trabalho escravo nas charqueadas de nosso município. As informações são escassas e há poucas famílias que possam colaborar nesse sentido.
 

  
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